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20 de março de 2009

Linchamentos

Segundo O País, o distrito de Nicoadala, província da Zambézia, é o que regista o maior número de linchamentos de individuos acusados de feitiçaria para "prender a chuva". Na cadeia de Quelimane encontram-se presos 20 acusados por 3 mortes e 11 feridos, incluíndo uim casal que foi incendiado no interior da sua casa.
O jornal regista que desde o ano passado tem chovido irregularmente na região.
Como é que chove em Tete e não chove aqui em Nicoadala? É porque alguém está a "prender a chuva", defende um dos habitantes que diz que vai perder toda a produção de arroz que tem na sua machamba.
Ano passado nós pegámos um desses feiticeiros, apertámo-lo até que aceitou que havia muita chuva, mas que ele "prendeu" e nós tinhamos que dar duas cabeças de boi para ele "desamarrar" a chuva, mas como não temos dinheiro, ficou assim, não está a chover, explicou o camponês que deplora a atitude da polícia, que prende os que recorrem ao uso da força para forçar os supostos feiticeiros a "desamarrar" a chuva.
Ainda segundo O País, no distrito de Inhassunge, também província da Zambézia, cinco anciãs deram entrada no hospital local, vitimas de agbressões por serem acusadas de feitiço e causarem doenças que assolam a região, para além de "prenderem a chuva" e provocar o amareleciemento letal dos coqueiros.

8 de março de 2009

Matar em nome da chuva

"Na machamba dele sai alguma coisa, mas na minha não sai nada. Como é que o meu vizinho está a comer e eu não?". De acordo com Bento Venâncio, no Domingo de hoje, esta pergunta explica os acontecimentos de Maquival, Zambézia, onde, em nome da chuva, moçambicanos foram mortos sem contemplações, sem remorsos, alegadamente porque estavam a guardar a chuva apenas para eles e respectivas famílias.
Como diz o autor do trabalho, num misto de inquietação, luto e fome, viúvas e viúvos choram hoje os seus mortos; os feridos recuperam no hospital, sem que a chuva caia, apesar da tragédia já consumada.
Ler na integra aqui.