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2 de abril de 2009

Escapados da asfixia

De acordo com o Notícias, quinze reclusos da Cadeia Distrital de Angoche, na província de Nampula, morreram nas últimas duas semanas vítimas de cólera tendo mais de metade dos mortos sido sepultados numa vala comum, por os corpos não terem sido reclamados pelas respectivas famílias.
Segundo o jornal, a não aparição de familiares para reclamarem os corpos faz crer que as vítimas façam parte do grupo que recentemente escapou da morte por asfixia na cela da Polícia em Mogincual e que foi transferido para aquela unidade prisional.
O administrador de Angoche terá dito que até ao momento fala-se da morte de 15 reclusos, mas teremos de trabalhar os dados, já que as autoridades municipais e hospitalares têm dados contraditórios. O que é comum é que oito dos perecidos foram para a vala comum por falta de reclamação dos corpos pelos familiares.
A notícia informa ainda que a cadeia distrital de Angoche conta actualmente com mais de 120 reclusos, contra os 30 da sua capacidade.

1 de abril de 2009

Liga Moçambicana de Direitos Humanos e Mogincual

A Liga Moçambicana de Direitos Humanos (LMDH) apresentou o seu relatório sobre as mortes ocorridas em Mogincual.
Segundo O País, no relatório é referido que os presos morreram depois de terem pedido por socorro durante 16 horas. O Canal de Moçambique, que também refere o Relatório, publica que 2 guardas de serviço terão tido como reacção "Que morram!".
No Relatório é referido que apenas 8 dos detidos tinham alguma ligação com as manifestações por causa da desinformação sobre a propagação da cólera. É igualmente afirmado que 10 dos detidos, provenientes da aldeia de Yawe, estavam relacionados com um caso de apreensão de uma motorizada roubada.
Entretanto a Liga apresentou ainda as conclusões sobre um estudo efectuado sobre as condições da Cadeia Provincial de Tete onde terão morrido 29 reclusos no 1º trimestre deste ano.
Ler aqui as conclusões da LMDH sobre Mogincual e Tete, publicadas pelo Canal de Moçambique.

19 de março de 2009

Os asfixiados da Terra

O Notícias e O País confirmam, nas edições de hoje, que a causa da morte dos 12 detidos na prisão de Mocingual foi asfixia devido á exiguidade do espaço em que estavam detidos 48 pessoas, segundo o Notícias, e 34, segundo o O País.
Ambos os jornais, apesar da disparidade de números, apontam como fonte a Comandante Provincial da PRM de Nampula.
O País confirma que, dos 12 mortos, 11 pertenciam ao grupo de 29 detidos quando dos motins em Mocingual devido à desinformação sobre a origem da cólera que grassa na região.
Segundo o Notícias, a cela em que se encontravam os detidos além das reduzidas dimensões só tinha um pequeno buraco para ventilação. Este jornal precisa ainda que informações obtidas junto dos familiares dos finados indicam que os elementos da lei e ordem que estiveram a guarnecer a cela nada fizeram para socorrer os detidos, que gritavam por socorro, não só por causa da falta de ar, mas também das agressões físicas de que estavam a ser vítimas por parte de um dos detidos, de nome Zubair. Este, tido como um perigoso cadastrado, encontrava-se detido indiciado de outros crimes e não os de desinformação à volta da origem da cólera que assola a região.
Entretanto foram demitidos os directores distritais da PIC e da PRM.

Ainda a propósito deste acontecimento ler a crónica de Mouzinho de Albuquerque na secção Opinião do Notícias.

8 de dezembro de 2008

Cólera mata na cadeia




Escorpião - 9 Dezembro/2008