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16 de março de 2009

Justiça popular...

Da secção Bula Bula, do Domingo de ontem, com a seguinte legenda:
As fotos de Alfredo Mueche falam por si mesmas.
E gritam!
Aconteceu, esta semana, quase em frente da nossa redacção, junto da Fortaleza de Maputo. Um cidadão foi surpreendido a tentar roubar. A multidão berrou agarra que é ladrão. O suposto ladrão foi apanhado e acorrentado, a esquadra estava próxima, não havia ali policia, mas também não pode estar em toda a parte onde a sua presença se torna necessária.
Depois de acorrentado, foi arrastado pelo chão.
Chama-se a isto fazer justiça pelas próprias mãos, ou enquadra-se em contornos de vigilância comunitária? Mas a vigilância comunitária tem de ser, forçosamente, violenta? Precisamos da injustiça para fazer justiça? Os fins justificam os meios?
Tem a palavra o leitor.






8 de março de 2009

Cruzou comigo, veio ter comigo, numa rua da Beira


A notícia no Domingo, da formação do MDM, recordou-me Álvaro de Campos

Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele, que com lagrimas (autenticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha olhos tristes por profissão.
Matar em nome da chuva

"Na machamba dele sai alguma coisa, mas na minha não sai nada. Como é que o meu vizinho está a comer e eu não?". De acordo com Bento Venâncio, no Domingo de hoje, esta pergunta explica os acontecimentos de Maquival, Zambézia, onde, em nome da chuva, moçambicanos foram mortos sem contemplações, sem remorsos, alegadamente porque estavam a guardar a chuva apenas para eles e respectivas famílias.
Como diz o autor do trabalho, num misto de inquietação, luto e fome, viúvas e viúvos choram hoje os seus mortos; os feridos recuperam no hospital, sem que a chuva caia, apesar da tragédia já consumada.
Ler na integra aqui.

23 de fevereiro de 2009

Leitura

Nos últimos dias de Janeiro realizou-se o XXXIII Consultivo do Banco de Moçambique.
(...)
Curiosamente os números fornecidos pelo Banco de Moçambique revelam diferenças substantivas entre o que registamos como exportações e o que os países que de nós importam declaram que receberam de Moçambique. Vejamos e apenas para 2007 alguns casos:
Indicam os nossos números que exportamos para Espanha um valor de 37,1 milhões de US$, mas a Espanha afirma haver importado 379 milhões de US$, apenas mais 341 milhões do que registamos. Em relação ao Malawi a diferença situa-se em 16,5 milh6es de US$. Com a Índia 23,3 milhões de US$. Com a China, 68,7 milhões de US$.
Somando estas diferenças, somente em 2007, constatamos que apenas com estes quatro países existem 449,5 milhões de dólares que não entraram nem nas nossas contas, nem nos nossos cofres e erário. O saldo da conta corrente do nosso pais mostra-se deficitário em 770 milhões de dólares em média entre 2002 e 2007,13% do PIB. Para onde se sumiram estes valores substanciais que representam mais de 58% do déficite? De onde provem, senão das exportações ilegais de camarão, pescado, madeiras, cereais... etc.?
Em nome da democracia, e das normas dos que mandam no mundo, desmantelámos os meios de controlo sobre as nossas aguas, portos, aeroportos, território nacional. Desmantelamos e no exercício perdemos meio bilião de dólares anos em números redondos! Precisamos de aviões e barcos de patrulha com pilotos nacionais, meios de radar, necessitamos de dotar de mobilidade, com viaturas e helicópteros a Guarda-Fronteira e as Alfândegas, carecemos de efectivos bem preparados e decentemente pagos.
Perguntarei se não nos sai mais barato reforçar as alfândegas, a policia marítima, as forças armadas, a força aérea para que se controle o nosso pais?
(...)

Domingo, 22 Fevereiro/2009

10 de fevereiro de 2009

A acompanhar atentamente

Independentemente, para já, dos motivos que o justificam é muito interessante o esforço ideológico que se verifica, por parte da FRELIMO, sobre (1) a necessidade da existência de uma verdadeira oposição em Moçambique e (2) que essa oposição passe pelo aniquilamento político de Dhlakama.
É como se a FRELIMO sentisse que a sua vitória nas autárquicas foi demasiado grande levando ao desaparecimento de necessários co-responsáveis credíveis para os dias difíceis que se aproximam.
Jorge Rebelo, respeitado ideólogo, com a autoridade que lhe advem do distanciamento, já aflorou o tema em diversas aparições públicas nos últimos tempos.
Na sua habitual crónica no Domingo, Sérgio Vieira incluiu um post scriptum: Precisa Moçambique, a democracia nacional e a FRELIMO dum verdadeiro número um à cabeça da oposição, um histrião não serve. Consta que o edil da Beira se prepara para organizar um verdadeiro partido que agregue as forças da oposição, que merece melhor. A expulsão que vitimou o edil não conta. Coragem engenheiro e como Cesar atravessando o Rubicão, saiba galgar o Chivene.
No Notícias de hoje, Elísio Macamo iniciou, sob o título, Dos que estão contra a política, a publicação do que promete ser um verdadeiro manual sobre o assunto.
A acompanhar atentamente.

11 de janeiro de 2009

De minimis non curat praetor

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Bula-Bula
Domingo - 11 Janeiro/2009
Abissus abissum invocat

O jornal Domingo, no seu Bula-bula, utiliza esta expressão latina para classificar as recentes tomadas de posição de Afonso Dhlakama, tendo o cuidado de recordar que Camilo Castelo Branco a traduziu prosaicamente por "asneira puxa asneira".
Na minha húmilde opinião o acontecimento abaixo referido é muito mais grave e lesivo para o futuro de Moçambique que qualquer atitude de Dhlakama.
Assim Dhlakama que fique com Camilo! A ATM merece o original latim: "o abismo atrai o abismo"...

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Bula-bula
Domingo - 11 Janeiro/2009

28 de dezembro de 2008

Pérola jornalística

O jornal Domingo fez a sua escolha das figuras do ano. No Editorial é explicado o porquê de uma escolha esclarecendo que por vezes a escolha é fruto de discussões acaloradas mas que desta vez, porém, nem foi necessária a discussão. O Consenso foi geral e rápido.
E qual foi o principal critério em que assentou a escolha? Esse critério foi o papel que as personalidades em apreço desempenharam para o desenvolvimento da Humanidade em geral e dos seus países em particular. Por outras palavras, para o desenvolvimento da pessoa humana, raíz, razão de ser e fim último dos Estados e da Comunidade Internacional organizada.
E os escolhidos foram... Obama e Armando Guebuza!! Um e outro são heróis da luta de libertação do humano, reagindo contra o desânimo, construindo auto-estima!
Editorial
Domingo - 28 Dezembro/2008
Ritos de iniciação (fim)

Há mais de trinta anos que o sector de educação canta e dança a canção embaladora de que as gravidezes precoces, as elevadas taxas de desistência e reprovações das raparigas em escolas de Cabo Delgado, Nampula e Zambézia devem-se aos ritos de iniciação por três motivos: as meninas ficam no cativeiro pelo menos 2 meses a beber os ensinamentos sobre "sexo e família", pelo que logo perdem o ano por faltas. »»»
Ver entradas anteriores sobre este tema.
Domingo - 28 Dezembro/2008

14 de dezembro de 2008

Ritos de iniciação (5)

Muitas consultorias e relatórios de pseudo-investigação têm sugerido que os baixos níveis de participação e aproveitamento escolar da rapariga, por um lado, e os elevados níveis de desistência escolar, sobretudo devido a casamentos prematuros e gravidez precoce nas províncias de Nampula, Zambézia e Cabo Delgado, são, em parte, resultado dos ritos de cativeiro.
Agricultura

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Domingo - 14 Dezembro/2008

8 de dezembro de 2008

Saúde pública

Dados extraídos da entrevista do Ministro da Saúde, Ivo Garrido, ao jornal Domingo de ontem:
Nº de doentes a receber tratamento antiretroviral: 8 mil em 2005, 120 mil em final de Novembro.
Nº de aparelhos de mamografia - nenhum em 2005; hoje existem 3.
Nº de aparelhos de TAC - um em 2005; hoje existem 3.
Nº de médicos - para uma população de 20 milhões, 692 médicos nacionais, 15 vietnamitas, 10 chineses e 137 cubanos.

23 de novembro de 2008

Leituras

(...) Se a vitória se organiza, a derrota também. O maior partido da oposição surgiu apático, desarticulado, sem estratégia e organização real, com posicionamentos contraditórios e demonstrando varias vezes uma ignorância sistemática da legislação pela qual votou, fazendo da lei um pedaço de papel que se corta, recorta e deita-se fora ao gosto do chefe. A desorganização primou. Vi na minha terra umas duas dúzias de membros da RENAMO, buscados em Matenge e outros locais bem fora do município, a dormirem no passeio em frente da dita Delegação Provincial, reclamando dinheiros para comer e outros subsídios prometidos.
(...) A cidade da Beira torna-se um caso de estudo. Na Beira, a vitória do independente Deviz Simango não se pode interpretar como uma derrota da FRELIMO, que ganhou a Assembleia e muitos mais votos em relação a quaisquer pleitos desde 1994. O voto Simango aparece mais como uma reacção contra as manipulações a que esteve submetida a sua candidatura. Simango, porém, para exercer o seu mandato deverá compor com a bancada maioritária da FRELIMO. Estarão as partes dispostas a entendimentos? A sensatez obriga a que o façam.
(...) Estará a FRELIMO confortável com o esboroamento progressivo do seu principal opositor? Na minha opinião a troca entre o deficit da qualidade da crítica por um superavit de insultos, impropérios, em resumo inépcias, nem beneficia a FRELIMO, nem o país. Não podemos, porem, criticar qualquer partido no mundo, e em Moçambique portanto, pela má qualidade do seu opositor. Difícil endireitar uma corcunda de nascença, quando assim se nasceu e nunca se corrigiu o defeito. Desejo que do esboroamento da RENAMO nasça um partido com cultura de Estado e visão patriótica. Moçambique precisa.

Domingo - 23 Novembro/2008

9 de novembro de 2008

Ritos de iniciação (3)

Usando uma terminologia revolucionária, com alguma variabilidade espacial / territorial, podemos, grosso modo, admitir que ao longo do tempo (secular/ milenar), Moçambique tem sido palco de 3 tipos fundamentais de ritos de iniciação: os ritos de cativeiro; os ritos de isolamento "cirúrgico" e os ritos informais / ambulatórios. Interessa-nos explorar esta "tipologia-tentativa", no sentido de testar a primeira hipótese desta série (falácia pseudo-cientifica) segundo a qual as elevadas taxas de reprovação ou de desistência das meninas em algumas partes de Nampula, Zambézia e Cabo Delgado estão associadas, em parte, à prática de ritos de iniciação de cativeiro.
Ver texto completo.
Domingo - 9 Novembro/2008

2 de novembro de 2008

Ritos de iniciação (2)

Para o caso dos países africanos, em geral, e Moçambique em particular, há uma larga aceitação de que o poder feminino reside apenas no facto de a mulher poder usar a magia do seu corpo para reduzir a secularização/milenarização da sua humilhação pelo homem.
Ver texto completo.

Domingo - 2 Novembro/2008
Surto de diarreia e vómitos em Manica

Um surto de diarreia aguda e vómitos que eclodiu na passada quarta-feira, no Posto Administrativo de Mandie, distrito de Guro, província de Manica, provocou em menos de 48 horas a morte de 35 pessoas, entre adultos e crianças.(...)
O governador de Manica explicou que já está no terreno uma equipa de médicos para apurar a origem dos casos, mas suspeita-se que um cidadão que se tenha deslocado para participar numa cerimónia fúnebre de um parente seu em Thanda tenha contraído um vibrião.(...)
Segundo o chefe do exeutivo de Manica, a doença tende a assumir contornos alarmantes devido ao seu rápido alastramento, tudo motivado por uma seita religiosa, denominada Johan Malange, cujos crentes se recusam a receber tratamentos hospitalares, por alegadamente contrariarem os principios religiosos.
Domingo - 2 Novembro/2008

1 de novembro de 2008

Ritos de iniciação (1)

(...) Usando informação detalhada sobre os ritos (de iniciação) recolhida pelos levantamentos realizados na década de 80 pela ARPAC, conjugada com um mergulho profundo nas entrelinhas dos romances de Paulina Chiziane (desde "Baladas de Amor ao Vento" até ao "O Alegre Canto da Perdiz"), na observação das diversas praticas dos ritos de iniciação de diversas nações moçambicanas (makondes, makuas, chopes, etc), tentaremos, durante as próximas semanas, discutir os dilemas dos ritos de iniciação, procurando à medida do possível, identificar se na verdade os ritos de iniciação são um assunto tradicional mal compreendido pelos investigadores ou se são, realmente, responsáveis pelos males que se lhes atribuem. (...)

Domingo - 26 Outubro/2008

25 de outubro de 2008

Leituras (22)







Sobre o síndroma nigeriano
Por vezes conversando com alguns patrões das transnacionais que me visitam previno-os para impedirem o surgimento em Moçambique do que chamo síndroma nigeriano.
As populações do Delta da Nigéria vêm as torres de exploração de petróleo e os oleodutos, estão informadas e conscientes de que a que terra produz uma grande riqueza, mas os pescadores já não encontram peixe devido à poluição, os tubos que transportam o ouro negro cortam as suas terras e, por vezes, as gentes devem reassentar as suas casas.
Ver texto completo.

Domingo - 12 Outubro/2008

Linchamento



Domingo - 12 Outubro/2008

22 de outubro de 2008

Divórcio em Moçambique

Tentando apurar as causas para o aumento do número de divórcios em Moçambique, o jornal Domingo entrevistou 100 jovens com idades compreendidas entre os 15 e 35 anos, 90% dos quais solteiros.
Como principais causas foram apontadas:
- há muita traição e infidelidade entre casais - 51%
- há falta de amor, diálogo e respeito entre os cônjuges - 40%
- os jovens casam-se, actualmente, por interesse material - 37%
- os jovens são forçados a casarem pelos seus familiares - 37%
- existência de casamentos prematuros - 34%
- desconfianças e ciúmes entre os cônjugues - 17%
- os jovens casam-se enquanto ainda querem gozar os prazeres da vida (discotecas, farras, bebedeiras) - 16%
Outras causas referidas:
- falta de responsabilidade dos jovens em relação ao lar
- influência dos amigos para a má conduta
- interferências dos familiares na vida do casal
- infertilidade de um dos cônjugues
- existência de "casa dois"
- insatisfação sexaul dos parceiros
Principais consequências das separações e divórcios:
- os divórcios provocam traumas nos filhos - 76%
- os divórcios provocam o abandono dos filhos pelos pais - 34%
- os divórcios aumentam os casos de prostituição e alcoolismo - 30%
- os divórcios provocam a degradação dos valores morais - 21%
- as separações e divórcios provocam maus tratos dos filhos pelas madrastas e padrastos - 16%
Outras consequências apontadas:
- aumentam casos de suicídio
- aumenta o índice de seropositivos
- estigmatização da mulher divorciada
Principais soluções apontadas:
- incentivar os jovens a casar no tempo adequado, lá mais para a frente, isto é, depois de namorarem e se conhecerem melhor - 54%
- incentivar a fidelidade entre os cônjugues - 25%
- os pais devem conversar mais com os filhos sobre o casamento - 24%
- incentivar palestras nas escolas e igrejas sobre o tema - 20%
- cultivar o respeito e o diálogo entre os cônjugues - 14%
- os jovens devem aceitar os conselhos dos mais velhos - 13%
- os pais não devem interferir negativamente nas relações conjugais dos filhos - 10%