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26 de abril de 2009

Leitura

A vila estava totalmente às escuras e sufocava sob o peso do silêncio. A pensão em que me encontrava hospedado - que era alias a única - não constituía excepção.
Passava um pouco das duas da manhã e o quarto estava escassamente iluminado por uma lanterna de bolso de pilhas já meio gastas, pousada em cima da mesinha de cabeceira.
Ao lado da lanterna refulgia vagamente a lâmina de um punhal.
Ler na íntegra aqui.

Savana - 23 Abril/2009

10 de abril de 2009

Pleno Regabofe Motorizado em Mussorize

Segundo o Savana, a PRM de Mussorize “autoriza” a condução ilegal, em nome do desenvolvimento o distrito.
Diz o jornal que as estatísticas policiais indicam que em cada 100 automobilistas, 95 conduzem sem carta de condução.
O comandante distrital da PRM afirmou que se tivéssemos que cumprir a lei grande parte da frota de viaturas e respectivos condutores estariam parados e com isso estagnaríamos o desenvolvimento do distrito” pois “grande parte destas viaturas se dedicam ao transporte público de passageiros e bens diversos.
A polícia alerta, no entanto, para o facto de esta medida não eximir de responsabilidades criminais os condutores que se envolvam em acidentes.
Paradoxalmente, ou não?, Mussorize é o distrito que menos acidentes regista na província de Manica.

9 de abril de 2009

Frases

Do Savana, na Tribuna do Editor e sob o título Os estrangeiros:
Começa a ser preocupante um certo comportamento anti-estrangeirista que se apossou de alguns moçambicanos, incluindo, infelizmente, figuras que assumem cargos públicos de responsabilidade nacional.
Será que alguns de nós estamos a ficar xenófobos? O discurso anti-estrangeiros assume vários níveis, desde a associação de alguns actos de delinquência social e criminal, até à estranha ideia de que estrangeiros são uma espécie de "papa empregos"
.
Leitura

Acabei por me rir das minhas misérias, porque cheguei à conclusão de que o contrário não só seria inútil como ridículo.
Tenho um medo pânico do ridículo, mesmo que não esteja sujeito a olhares de terceiros. Ri-me com gosto, na solidão da casa de banho, com o nariz espetado na superfície do espelho:
No fundo, não tinha razões para construir grandes dramas.
O que se passava era muito simples: estava a cinco dias do salário e não tinha nem um half pence no bolso. No banco muito menos.
Ler texto na íntegra aqui.

Savana - 10 Abril/2009

5 de abril de 2009

Rusga a estrangeiros brancos

Quer o Zambeze, no seu Editorial, quer o Savana, n'À hora do fecho, se referem ao sucedido na última 3ª feira no Restaurante Mundo's.
No Zambeze é possível ler: não será que a operação da Migração no Restaurante mais visível da Julius Nyerere, esta terça-feira à noite, alegadamente à procura de estrangeiros ilegais, mas como nos disse o gerente Cândido Cossa, mais virada para a "caça a pessoas de raça branca" e de "negociar soluções" com os indocumentados - ou como nos disse uma senhora: "para maltratar e humilhar as mulheres moçambicanas" - não será, perguntávamos, que se tratou de mais uma das muitas frentes em que estão a querer tratar mal a imagem do actual chefe de Estado, tentando fazer crer que estamos a voltar aos tempos da "Operação Produção" de triste memória, que colocou, há décadas atrás, no tempo de Samora, a imagem de Armando Guebuza na fossa? A imagem de quem está contra os estrangeiros e contra os "brancos" não estará a ser tentada para a colarem a Guebuza?
No Savana, uma pequena entrada: cá pela terra também não se pode rir muito. Que o digam os comensais do Mundo's na noite de teça-feira. Uma rusga policial à antiga fez recuar as memórias a 1975.
Quando li esta nótícia, não fiquei muito impressionado. É um direito do estado moçambicano defender-se de estrangeiros indesejávéis.
Mas ao ouvir o relato feito por um dos presentes, o caso mudou de figura. Primeiro, o aparato bélico com que foi montado. Segundo, o desplante racista de divisão brancos para um lado, pretos para outro. Terceiro, o verdadeiro assalto que foi feito às carteiras dos estrangeiros que, não acostumados a este tipo de rusgas, se encontravam indocumentados e a quem foi recusada a utilização de telemóveis para pedir a alguém que lhes trouxesse os documentos. A solução para estes foi entregar dinheiro às "autoridades", algumas das quais se apresentavam em evidente estado de embriaguez.
É com isto que o Ministro do Turismo deverá estar preocupado!

28 de março de 2009

Leitura

Jonathan J. Zualo é filho único. A caminho dos 40, defende acerrimamente a sua condição de solteiro. Regressou a casa paterna em finais de 2007, depois de uma aventura mal sucedida no Botswana, onde no entanto viveu 8 anos e chegou a ser dono de meia centena de cabeças de gado bovino.
Naquele ano, por denúncia e falsas declarações de uma amante tswana, a quem abandonara depois de uma curta relação, Jonathan foi recambiado para Moçambique, praticamente só com uma mão à frente e outra atrás.
Ler texto completo aqui.

Fernando Manuel - Tanglomanglo
Savana - 27 Março/2009

24 de março de 2009

Leitura

Ando aterrorizado.
De alguns meses a esta parte cresce em mim a convicção de.que estou a incubar uma hipocondría galopante: desperto a meio da noite alagado em suor, fico desperto, vigilante, de atalaia, a respiração suspensa e logo a seguir estou com o corpo seco, embora pegajoso e as manhãs surpreendem-me sempre com crises contínuas de taquicardia.
Ver texto completo aqui.
Fernando Manuel - Tanglomanglo
Savana - 20 Março/2009

14 de março de 2009

Leitura

Nunca antes tinha lido nada dele, nem mesmo ouvido falar.
Há dias, nas habituais e incontornáveis rondas que faço pelas prateleiras do quarto dos meus filhos quando as insónias se abatem sobre mim como um capacete de chumbo, descobri uma obra sua e o bicho da curiosidade aguilhoou-me os neurónios.
Era 01 H27 da madrugada.
O autor assina Roger Vailland e a obra tem como titulo A Visirova.
Diz-se, nas entradas, que a primeira edição aconteceu nos anos 30 do século passado. Depois foram anos de esquecimento, até 1988.
É de uma leitura corrida; de uma escrita tecnicamente envolvente como a própria estória da Visirosa - uma russa que foi parar a Paris fugida da “revolução” na flor da juventude, nos anos 30, onde fez parte da troupe que na Folie Bergers posava e dançava nua todas as noites para centenas de pares de olhos de homens que a “comiam” com a vista.
Até que um rei a conheceu e quis tomá-la por esposa.
Uma história que roça o rocambolesco, mas revela um profundo sentido de humanidade. Saquei pois o livro da prateleira, dei um help às minhas insonias com uma dose cavalar de café sem agucar, sintonizei um qualquer canal de rádio, atirei-me pesadamente no sofa e pus-me a ler a imponderosa trajectória da Visirova.
Fiquei a ler até ouvir os primeiros trinados dos xiricos nas acácias e os primeiros solavancos dos "chapas" que vêm do Xiquelene em direcção à Baixa.
Olhei por entre as frestas das cortinas e descobri, num renovado deslumbramento, uma nesga de céu imaculadamente azul, de um azul virgem, limpo, leve como que uma receita líquida para lavar a alma.
Li o último capítulo de A Visirova, atirei o livro para cima de uma banco e preparava-me para me levantar e ir a cama quando ouvi um rumor de passos no corredor.
Ela surgiu no umbral da porta da sala, de olhos ainda inchados pelo sono recente, o cabelo descomposto, o peito nu, descalça, de calções de riscas azuis muito cingidos ao corpo e um severo ar de censura:
"Com que então passaste outra vez a noite na sala, hã? Olha: se não me queres mais, por que é que não ganhas coragem de mo dizer?"
Deixei-me abater pesadamente sobre mim, sem palavras.
Compreendi, uma vez mais; que nem sempre que a gente fala se entende.
Pesou sobre nós um silêncio dilacerante. Eram 07H27...
Savana - 13 Março/2009

6 de março de 2009

Leitura

Em Janeiro de 1957 eu tinha 17 anos. Andava no liceu Salazar, aos sábados ia de uniforme da Mocidade Portuguesa, de camisa verde, calções castanhos cor de chocolate até aos joelhos, cinto com a inscrição S, de botas de salto alto e (pode ser que seja aviltante dizer hoje; uma vez que depois de 1975 me tornei um intelectual revolucionário, esquerdista, inimigo da burguesia e todas as formas da sua manifestação exterior) i.e. vivendas no Belo Horizonte, nas barreiras junto ao Índico no grande Maputo, férias no Pemba Beach Hotel meretrizes de olhos azuis e cabelos loiros vindos de Dubai a troco de esposas sem frescura, de lábios e seios caídos, de cotovelos moles e pés de galinha por entre as pernas. .
Nessa altura eu apaixonei-me por uma machope de 12 anos, chamada Nguene. Tenho 27 filhos com ela.
Ela tem a terceira classe rudimentar. Eu tenho o sétimo ano dos liceus. Uma coisa que me consola na vida é sentir-me bem no seu seio.
O seio dela, portanto!
Eu amo-a perdidamente!

Savana - 6 Março/2009

1 de março de 2009

Leitura

Havia uma faca, na cozinha.
Era uma faca enorme, de punho de marfim, de gume bem afiado e ela utilizava-a para retalhar cadáveres de pássaros, seu prato preferido: galinhas, patos, perus, codornizes, águias reais, urubus, milhafres, cegonhas, gaivotas e pombos.
Havia uma faca grande na cozinha da nossa casa.
Ver texto completo.

Fernando Manuel – Tanglomanglo
Savana – 6 Fevereiro/2009
Leitura

Li há dias uma coisa que me deixou com os cabelos feitos num feixe, a modos que o dorso de um porco espinho perante uma ameaça: a noticia dava conta que as autoridades ugandesas tinham tornado uma medida drástica na área da saúde: retirar todas as licenças concedidas aos médicos tradicionais para legalizar a sua actividade.
Motivo: os médicos tradicionais estavam por detrás de um negocio mórbido: a perseguição e matança dos albinos, de entre cujos órgãos se acredita que alguns tem efeitos mágicos na cura de doenças difíceis e na promoção de sortilégios: nos amores, negócios, emprego ou eliminação física dos inimigos ou simples rivais.
Ler texto completo.

Fernando Manuel - Tanglomanglo
Savana - 30 Janeiro/2009

24 de janeiro de 2009

Leitura

Fé
Eu sei que você não acredita em mim.
Nem és obrigada.
Eu também não sou obrigado a acreditar em ti.
Mas acredito.
Acredito em ti quando te enrolas em mim e sussuras aos meus ouvidos: "eu sou a tua lua cheia ou a tua quarto minguante?"
E eu respondo, doido daquele gozo que a Pearl Buck quis descrever no seu romance Amor Eterno e não conseguiu – burguesinha norte-americana que é – eu respondo: "Carmina, tu és a minha Lua Nova". »»»
Fernando Manuel - Tanglomanglo
Savana - 23 Janeiro/2009

18 de janeiro de 2009

Leitura

Passo por ele todos os dias, de casa para o serviço, do serviço para a minha casa.
De manhã ele levanta-me o astral, eu que tenho uma tendência mórbida para as depressões psico-fisicas-mentais, um hipocondríaco profissional. »»»
Fernando Manuel - Tanglomanglo
Savana - 16 Janeiro/2009

9 de janeiro de 2009

Leitura

A minha acácia está de novo em flor, nestes meados de Janeiro. Isto traz-me paz e muita juventude, apesar do facto de saber que no dia 20 faço 56 anos de idade.
Há muitas acácias, na cidade de Maputo. Há muitas acácias na avenida Karl Marx. Mas aquela está defronte da varanda do meu quarto, no primeiro andar esquerdo do 1838 da K. Marx e são 04HOO da manhã e ela está viva.»»»
Fernando Manuel - Tanglomanglo
Savana - 9 Dezembro/2009

20 de dezembro de 2008

Leitura

Os criminosos voltaram uma vez mais a tomar conta da nossa sociedade, remetendo o poder legalmente constituído à defensiva. São vários os episódios que atestam para esta constatação, a começar pelo violento atentado, na ultima Terça-Feira, perpetrado contra o comandante da lei e ordem da cidade de Maputo, Feliciano Juvane, quando este se preparava para entrar para a sua casa. Juvane viria a morrer na Quarta-Feira, em consequência dos graves ferimentos que contraiu. »»»
Savana - 19 Dezembro/2008

19 de dezembro de 2008

Leituras

Dado o cenário em que me debato - o adiantado das datas, a praticamente inexistente fluidez financeira e a minha falta de vontade e força para continuar a estrebuchar na lama rodando em falso - durante as insónias que me assolaram na noite de terça-feira, noite de chuva e enxames de mosquitos, decidi tomar a medida extrema: desligar a ficha.
Não haverá Natal, Ano Novo, e muito menos prendas. »»»
Savana - 19 Dezembro/2008

18 de dezembro de 2008

Roubo de energia


Savana - 19 Dezembro/2008
Pérola cinzentinha

Devido ao abate indiscriminado de polícias, parece que toto o mundo anda com medo. No último fim-de-semana, criminosos roubaram uma viatura de noivos e desfilaram na via rápida até ao temido bairro de Chamanculo. Os donos, que iam á retaguarda, descobriram que a gang estava numa sessão de copos com a viatura estacionada e correram à 18ª esquadra para alertar a Polícia. Medrosos, os cinzentinhos mostraram resistência em seguir as pistas dadas. Só depois de insistência é que foram ajudar as vítimas, mas, para sua alegria, os bandidos-noivos já haviam abandonado Chamanculo...
À hora do fecho...
Savana - 19 Dezembro/2008

13 de dezembro de 2008

Leituras


O Zimbabwe já não é só um assunto interno
Se quisermos ser sinceros para connosco próprios, se nos respeitamos a nós próprios e a outros seres humanos como nós, então este é o momento de aceitar e reconhecer que Robert Mugabe traiu a causa da luta de libertação do seu próprio país e de toda a África, e que não precisamos mais de continuar a vê-lo como vítima da birra colonial e imperialista do Ocidente.
Ler texto integral.

Cartoon e Editorial
Savana - 12 Dezembro/2008
Contas do Estado


De acordo com o artigo o Tribunal Administrativo volta a manifestar a sua profunda indignação pela inércia demonstrada pelas autoridades govenametais na cobrança dos fundos do esouro na maioria entregues à elite política ligada ao partido Frelimo, através de critérios pouco claros e transparentes.
Entre os pagadores o jornal destaca a Empresa de Albano Silva (marido da 1ª Ministra), o Grupo Macula pertencente a Alberto Chipande, veterano da luta armada, a quem a história oficial atribui a autoria do primeiro tiro da insurreição contra o colonialismo português e a empresa Mavimbi de qual foi sócio até Maio deste ano o presidente Guebuza.
Savana - 12 Dezembro/2008