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21 de abril de 2009

Juchismo à moçambicana

Sob o título Quadros exaltam direcção clarividente de Guebuza, o Notícias refere que uma moção apresentada no final da Sétima Conferência Nacional de Quadros da Frelimo exalta a direcção lúcida e clarividente de Armando Guebuza, presidente do partido. Segundo a moção, em todos os cantos de Moçambique há resultados do desenvolvimento socioeconómico, do crescimento da auto-estima, da crescente consciência de que os moçambicanos devem ser protagonistas das soluções para os seus problemas e marcas visíveis de que acreditam na vitória da luta contra a pobreza.
Ver aqui na íntegra.

28 de março de 2009

As 12 mortes de Mogincual na Assembleia da República

Algumas frases repescadas do Noticias a propósito do debate na Assembleia da República sobre os acontecimentos em Mogincual.

Ministro do Interior, José Pacheco, reafirmou ontem no Parlamento que as averiguações e as autópsias feitas aos perecidos confirmaram que os mesmos morreram por asfixia, devido à superlotação da cela, revelando ter havido uma negligência e falta de zelo da parte da Direcção do Comando Distrital de Mogincual.
"O Governo de Moçambique condena a desinformação e instigação à violência. Por isso, protege e defende as vítimas dos desacatos. Neste contexto, continuaremos a privilegiar a educação patriótica e cívica dos cidadãos", indicou.

Bancada parlamentar da Frelimo considera que houve falta de zelo e profissionalismo por parte dos agentes da lei e ordem no caso da morte, por asfixia, de 12 reclusos numa das celas do comando da PRM no distrito de Mogincual, província de Nampula, e exige a responsabilização criminal não só aos elementos da corporação implicados na tragédia, mas também à Renamo, considerada autora moral da ocorrência.

Deputado José Mateus Katupha, da bancada parlamentar da Frelimo e membro da Comissão Permanente da Assembleia da República, considerou que em Mogincual foram reeditados os confrontos de Montepuez, Mocímboa da Praia e em outros locais por onde a Renamo e o seu líder acham serem criadas as condições para implantar a sua filosofia de vida social. Afirmou que a filosofia da Renamo tem, invariavelmente, a instigação à desobediência e a desacatos ao poder legalmente instituído como modo de actuação. Tem também o recurso à ignorância das populações vulneráveis à instrumentalização, levando-as a quebrar os mais rudimentares princípios de convivência social, a desinformação e recurso à violência, definição do alvo preferencial e grito alucinatório da fraude como justificação dos seus actos.

Deputado Carlos Jorge Silyia, também da bancada maioritária na AR, afirmou que a morte de 12 reclusos, três agentes da PRM, activistas da Cruz Vermelha de Moçambique e de um comerciante foi causada pela desinformação sobre o uso do cloro para o combate à cólera.
Para Carlos Silyia, o caso de Mogincual é repetição do de Montepuez em que, devido à motivações políticas, o povo foi obrigado a cometer crimes, atacar instituições do Estado e provocar mortes de agentes da Polícia e populações inocentes.
Observou que não há dúvidas que as mortes registadas na cadeia de Mogincual em parte foram devido às condições péssimas em que os reclusos viviam, o que não lhes permitia uma boa respiração.

Porta-voz da bancada parlamentar da Renamo, José Manteigas, afirmou que a morte dos 12 reclusos é uma clara violação da Constituição da República, da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos e da Declaração Universal dos Direitos do Homem das Nações Unidas.
Questionou se a morte deve ser a pena que deve ser aplicada a um desinformador.
"Não é a Renamo que está no poder. Não é a Renamo que está a dirigir a Polícia. É a Frelimo. Portanto, estes senhores devem ser responsabilizados. Aquelas famílias devem ser ressarcidas, porque lhes foi retirado um chefe de família que dava provento à família. É brincar com pessoas quando se pretende que o fim dum membro da oposição é a morte ou é o tratamento brutal".

9 de março de 2009

Leitura

Sob o título Democracia conquista-se e a oportunidade não se pode perder, Noé Nhantumbo publica hoje no Canal de Moçambique, uma reflexão sobre o significado que poderá ter para a democracia moçambicana o aparecimento do MDM.
A sua análise sobre a influência que a origem militar tem no entendimento que a FRELIMO e a RENAMO têm de democracia, não difere do que eu próprio afirmei sobre esse aparecimento.
Faltam, na minha opinião, duas pequenas explicitações "pedagógicas" que poderão ajudar os leitores do autor a entender o que poderá começar a suceder em breve no relacionamento inter-partidário:
1 - como partidos de origem militar, a FRELIMO e a RENAMO têm tendência a esquecer um principio básico - em democracia não há inimigos, há adversários;
2 - pela comunhão de génese, a FRELIMO e a RENAMO têm mais afinidade entre elas que com o novo MDM.

6 de março de 2009

O acontecimento

O nascimento de uma nova formação partidária domina os acontecimentos. É a primeira ameaça "civil" séria à partilha da influência até aqui exercida pelas duas formações nascidas militarmente. Uma ameaça séria mesmo que não dê, para já, os frutos que, uns mais precipitados, "obamam" para amanhã!
A "explosão" da FRELIMO, com a deslocação para a Beira de verdadeiros pesos-pesados da sua cúpula, e a implosão da RENAMO, com a avalanche de adesões à nova formação, só podem significar que ambas perceberam que a fase d'a arma é o voto do povo, ameaça dar lugar á fase d'o voto é a arma do povo.
Não deixa de ser interessante que o partido português convidado e presente seja o Partido Social-Democrata (PSD) - o partido que menos pactuou com a presença e influência militar no goveno português após o 25 de Abril de 1974.

4 de março de 2009

Na Beira há um ataque de nervos...

Segundo O País, tem lugar na cidade da Beira, 6ª feira e Sábado próximos, a conferência constituitiva do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), formado a partir de uma cisão na RENAMO e dirigido por Daviz Simango, único presidente de municipio não pertencente à Frelimo.
O jornal apresenta uma lista de actuais membros da RENAMO que poderão abandonar esta formação partidária para passarem a pertencer ao MDM. Entre eles a actual chefe da bancada parlamentar na Assembleia da República, Maria Moreno, o porta-voz da mesma banca parlamentar e ex-candidato derrotado ao Municipio de Maputo, Eduardo Namburete, e outros deputados.

Entretanto, do lado da FRELIMO, a situação é também de grandes mudanças. De acordo com o Magazine Independente. corroborado pel' O País, toda a estrutura dirigente da FRELIMO na Beira foi substituida como consequência dos resultados alcançados na últimas eleições autárquicas.

2 de março de 2009

Confrontos

Segundo o Canal de Moçambique, registaram-se confrontos entre elementos da Renamo e da Frelimo, em Chipema, distrito de Memba, província de Nampula.
A denúncia do sucedido foi feita, em conferência de Imprensa, na última sexta-feira, em Nampula, pelo porta-voz da Renamo na província. Segundo este, os elementos da Frelimo interromperam uma reunião de simpatizantes e militantes da Renamo tendo sido posteriormente secundados por elementos da Força de Intervenção Rápida (FIR) da polícia.
Dos confrontos resultaram 1 morto e 3 feridos, todos da Renamo. Foram ainda detidos 12 elementos deste partido.

10 de fevereiro de 2009

A acompanhar atentamente

Independentemente, para já, dos motivos que o justificam é muito interessante o esforço ideológico que se verifica, por parte da FRELIMO, sobre (1) a necessidade da existência de uma verdadeira oposição em Moçambique e (2) que essa oposição passe pelo aniquilamento político de Dhlakama.
É como se a FRELIMO sentisse que a sua vitória nas autárquicas foi demasiado grande levando ao desaparecimento de necessários co-responsáveis credíveis para os dias difíceis que se aproximam.
Jorge Rebelo, respeitado ideólogo, com a autoridade que lhe advem do distanciamento, já aflorou o tema em diversas aparições públicas nos últimos tempos.
Na sua habitual crónica no Domingo, Sérgio Vieira incluiu um post scriptum: Precisa Moçambique, a democracia nacional e a FRELIMO dum verdadeiro número um à cabeça da oposição, um histrião não serve. Consta que o edil da Beira se prepara para organizar um verdadeiro partido que agregue as forças da oposição, que merece melhor. A expulsão que vitimou o edil não conta. Coragem engenheiro e como Cesar atravessando o Rubicão, saiba galgar o Chivene.
No Notícias de hoje, Elísio Macamo iniciou, sob o título, Dos que estão contra a política, a publicação do que promete ser um verdadeiro manual sobre o assunto.
A acompanhar atentamente.

29 de novembro de 2008

Eleições autárquicas 2008

Informa o Notícias de hoje que, em Nampula, "um grupo de supostos antigos guerrilheiros da Renamo e que nas últimas eleições autárquicas estiveram como delegados de candidatura daquela formação política, fez refém durante a manhã de ontem, o respectivo Secretário-Geral, Ossufo Momade".
Entre outras, o grupo como justificação para esta acção a "falta de uma posição enérgica dos chefes em relação a estas brincadeiras de crianças que a Frelimo anda a fazer e assim exigem que o Partido ordene o inicio de manifestações violentas." »»»

18 de novembro de 2008

Eleições autárquicas 2008

Informa o Canal de Moçambique de hoje que "no município de Chimoio, capital da província central de Manica, um número considerável de cidadãos, aparentemente membros e simpatizantes da Renamo, poderá ver-se impedido de votar amanhã, 19 de Novembro, nas terceiras eleições autárquicas, na sequência dos seus cartões de eleitores terem sido remetidos à lixeira daquela urbe, localizada no Bairro 7 de Abril, por indivíduos de má fé, que se supõe serem membros do partido Frelimo no poder, a mando desta formação política."
Ainda no mesmo jornal electrónico pode ler-se que "uma nova lista de candidatos a membros da bancada da Renamo na futura assembleia municipal da Beira, que não tem nada a ver com uma outra que já fora aprovada e publicada pela CNE, estava a semana passada a fazer as desconfianças avolumarem-se. Agora está confirmado que a CNE publicou uma segunda lista de candidatos pela Renamo à Assembleia Municipal da Beira".
Ver desenvolvimentos aqui e aqui.

17 de novembro de 2008

Eleições autárquicas 2008

Segundo o Canal de Moçambique "o candidato da Frelimo para a presidência do Conselho Municipal de Nacala-a-Porto, na província de Nampula, Chale Ossufo é acusado de ser membro da Resistência Nacional de Moçambique, Renamo. A acusação é sustentada através de uma cópia de cartão de membro daquele partido com o número 051079/00/NPL a que nossa reportagem teve acesso." Na mesma notícia pode ler-se que " a delegação política da Renamo em Angoche, confirmou o facto e avançou que "Chale Ossufo é membro da Renamo inscrito neste distrito" e que "em nenhum momento ele renunciou à sua qualidade de membro do partido".

15 de novembro de 2008

Eleições autárquicas 2008

Em conferência de imprensa, ontem, a candidatura de Deviz Simango exibiu uma filmagem feita com um telemóvel em que 3 destacados elementos da Renamo da Beira confessam ter sido comprados pela Frelimo para tentar inviabilizar a candidatura de Simango. O video foi mais tade exibido pela STV (canal de televisão privada) no noticiário das 20:00.

14 de novembro de 2008

Eleições autárquicas 2008

A propósito da campanha eleitoral na Beira, informa O País que "apoiantes do candidato independente Daviz Simango inviabilizaram a intenção do candidato da Frelimo, Lourenço Bulha, de inaugurar três fontanários na Unidade 21, bairro de Inhamízua."
A administradora da cidade interrogada pelo jornal sobre a legitimidade de Bulha inaugurar obras do Estado, respondeu "que não havia nenhum problema, porque o governo é da Frelimo e Bulha é candidato da Frelimo, por isso, podia inaugurar a obra."